Você conseguiria viver 10 anos de férias gastando R$ 10 por dia?

Parece loucura, mas esse é um projeto real, idealizado pelo educador físico Tarso Gonçalves Soares, de 36 anos. Natural de Pelotas, Rio Grande do Sul, ele decidiu viver 10 anos de férias gastando R$ 10 por dia.

Em menos de dois anos, com uma mochila, viagens de carona, pernoites em sua barraca e alimentação baseada em plantas, ele já conheceu mais de 500 lugares incluindo 9 estados brasileiros e três países.

Tarso transformou o seu ano sabático em uma década. (FOTO: arquivo pessoal)

Se você assistiu o filme Into the wild — Na Natureza Selvagem, tem interesse pelo minimalismo, identifica-se com as canções de Belchior e Raul Seixas ou acompanha a peregrinação de Eduardo Marinho, certamente vai gostar deste texto.

Como tirar 10 anos de férias?

Tarso começou a planejar esse projeto em janeiro de 2017 e trabalhou pela última vez em abril do mesmo ano. Como empresário, trabalhava pouco, tinha flexibilidade de horário e ganhava muito bem. No entanto, preferia os finais de semana à rotina de trabalho.

Ele buscava exercer a sua liberdade no auge da sua disposição física, então decidiu em investir em si mesmo com um ano sabático de presente. Mas, antes de partir percebeu que, se gastasse muito pouco, poderia transformar esse período em uma década!

Para entender melhor como começou essa jornada, que conta com a companhia de seu cachorro de estimação, nada melhor do que ler o seu relato. Em seguida, veja uma entrevista com detalhes e curiosidades dessa viagem que está apenas começando.

 

10 anos de férias gastando R$10 por dia, por Tarso Gonçalves

Já me perguntaram ‘quatrocentas e cinquenta e quinze’ vezes por que eu resolvi parar de trabalhar, vender tudo e viver com 10 reais por dia. Perguntaram se eu não tenho medo e eu disse que teria medo é de uma vida infeliz, chata, que eu não me orgulhe de ter.

Fui personal trainer de gente muito rica na Austrália e no Brasil e achava que os meus parentes e alunos mais ricos não eram os mais felizes. Tinham orgulho de suas conquistas e de sua ‘posição-quando-comparada-com-os-outros’, mas nem sempre de quem eram de fato, e muito menos da rotina que tinham. Eu não me via ali, essa é a verdade.

Meu hobby era barato. Meu lazer era barato: correr, acampar, fazer trilha, ir à praia, mergulhar, nadar, remar, conversar, namorar. Eu era feliz com pouco, mas precisava de muito dinheiro para pagar coisas que eu não queria de fato: casa, carro, restaurantes, pousadas, roupas (essa última eu ainda faço uso, por razões óbvias rsrs).

Eu adoro visitar pessoas. Adorava a ideia de passar semanas na casa da mãe, do pai, do tio, do primo, do vô, da tia, do amigo de infância, do colega de faculdade, dos amigos do triathlon, dos colegas do cursos de inglês e de fitness que fiz na Austrália. Se eu tivesse longas férias, faria isso com toda certeza.

Eu preferia ficar 2 meses acampado num paraíso do que 2 semanas num resort de luxo. Eu queria tempo de vida de fato.

Eu não acredito em Deus, anjos, pós-vida, nada disso. Amo a minha vida, este planeta e os seres vivos por si só. Mas uma coisa meio “mística” que também respondeu à pergunta do título foi a noite, as estrelas, o universo. Essa coisa da gente ser tão pequeno, tão insignificante.

Que diferença eu faria se eu fosse um ‘economicamente-quase-inútil’ para a sociedade, sendo que não farei mal a ninguém e provavelmente continuarei influenciando pessoas positivamente como sempre fiz, dando dicas de saúde e atividade física?

Também um pouco nessa “pegada mística”, eu não sentia REALIDADE nas coisas da vida “normal”. Me sentia vivo de fato quando corria no mato, quando nadava nu, quando dormia no chão e quando fazia sexo.

Só hoje, lendo o livro “Sapiens – uma breve história da humanidade”, enxergo que, de fato, dinheiro, empresas, política e países nada mais são do que coisas nas quais a humanidade resolveu acreditar que são reais.

Eu tinha algumas aventuras de 15 ou 30 dias em mente, e tinha também uma vontade de viver como um índio ou um coletor-caçador de 20 mil anos atrás por uns 3 meses num paraíso qualquer ao lado do mar.

Queria fazer isso enquanto jovem, e percebi que 99% das pessoas ao meu redor jamais conseguiriam viver 3 meses de liberdade absoluta antes da aposentadoria. Assim, percebi que, de fato, teria que fazer algo bem diferente.

Tinha vontade de ser nômade por um tempo. Sempre achei a vida longa e linda demais pra gente só viver num lugar ou trabalhar só com uma coisa. Recentemente aprendi que, por milênios, nós humanos de fato éramos nômades (essa coisa de trabalhar é uma invenção BEM recente).

Conheci e ouvi falar de pessoas com estilos de vida muito autênticos. Gente que não usa dinheiro e vive da terra, gente que vive com pouco mais de R$100 mensais e tem um brilho nos olhos que me agrada ter.

 

Como viver com apenas R$ 10 por dia?

Ficou curioso para saber sobre a preparação e rotina dessa aventura? Então confira a entrevista a seguir.

 

Como era a sua rotina antes?

Trabalhava pouco, 11 horas por semana de aulas e mais algumas horas de trabalho pelo celular, e ganhava muito bem. Como dono da empresa, tinha muita flexibilidade de horário.

Como foi a reação da sua família e dos seus amigos?

Frase típica de amigos: “Caramba, cara, tu é doido. Que coragem”. Minha mãe falou em falta de foco e expliquei que era o contrário: havia descoberto o que queria realmente da vida. Ela concluiu: “ok, entendo: estás precisando de um período sabático, e isso é muito bom. Manda bala”.

Como você se preparou financeiramente para passar 10 anos de férias?

Calculei quanto custaria para tirar 3 meses de férias. Vi que era muito barato, pois já tinha a ideia e vontade de viver com pouco. Calculei quanto tempo poderia ter se vendesse a empresa e o carro. Bem nessa época a casa foi vendida e percebi que tinha grana para 20 anos.

Usei parte do dinheiro para comprar um terreno e me sobrou o suficiente para 10 anos. Fiz o experimento de viver exatos 3 meses gastando apenas 10 reais por dia com alimentação (fora luz, água, gasolina e todas as despesas “comuns”).

E psicologicamente?

Não me preparei. Ou, se me preparei, foi natural e automático. Talvez embutido na preparação financeira.

Como você define o roteiro?

Não há. O objetivo é exercer minha liberdade plena. Quero dar a volta ao mundo mas me mantenho livre para mudar de planos a qualquer momento.

 

Além de viajar muito, você também tem uma ligação forte com esportes. Quais atividades você pratica?

Natação em piscina (raramente), natação em águas abertas, ciclismo de estrada, ciclismo de montanha, corrida de rua, corrida de montanha, triathlon, calistenia, e tenho boa noção de escalada (pratiquei muito no passado).

O seu perfil diz que você já participou de 4 edições do IronMan. Você continua treinando ou pretende competir novamente?

Sim, foram 4 fulls: 2 da marca ironman e 2 alternativos: Fodaxman e Capixaba de Ferro. Este último fiz já durante a viagem, vivendo com 10 reais por dia e usei o treinamento para ir até a prova (foram 3000km do RS ao ES). Obviamente não paguei inscrição (ganhei de presente de um amigo de adolescência).

Me considero sempre em condições de completar um ironman dentro de 10 dias: só preciso de 2 ou 3 treinos de ciclismo, pois natação é meu ponto forte e corrida é o que mais pratico.

Como você se alimenta nas viagens? Qual a sua relação com as PANCs?

Me considero “Plant Based”: baseado em plantas. Muito raramente aceito algum produto que não seja vegetal ou que seja manipulado por humanos (por exemplo queijo, mel, sal, ovo, macarrão, farinhas, farináceos ou qualquer coisa embalada) que me oferecem durante minhas andanças.

Me alimento basicamente das coisas que compro: exclusivamente frutas, legumes, verduras (muito raro), tubérculos e amendoim. PANCS são o que uso para substituir as verduras, que são caras se analisarmos o preço do quilo.

Como o Dudu embarcou nessa aventura? Como é viajar com um cachorro?

Ele participa quando é conveniente para mim e para a Cláudia (minha ex mulher e “mãe do Dudu”). Se planejo uma viagem muito longa, ela não aguenta de saudades e fica com ele. Viajar com ele me limita um pouco (no sentido de que não posso, por exemplo, andar de metrô ou ficar na casa de qualquer amigo), mas vale a pena. Abre muitas portas e ele é sensacional – muito educado, parceiro e adaptável.

Durante as viagens, ao contar a sua história, que feedback você recebe?

Todo mundo demonstra admiração e interesse — e isso obviamente não significa que que de fato acham legal para pôr em prática em suas vidas.

 

Quantos “bens materiais” você possui? É possível viver somente com eles?

Acho que, no momento, são 65 (a escova de dente, por exemplo, conta como um item). É possível, sim. Tenho muito mais do que o “fisiologicamente necessário”.

As suas postagens inspiram muitos seguidores. Quais são os seus pensadores favoritos?

Henry David Thoreau (“A verdadeira riqueza de uma pessoa é medida pela quantidade de coisas que ela não precisa”); Engenheiros do Hawaii ; Eddie Vedder; Raul Seixas (destaque para “Ouro de Tolo”); Filósofos minimalistas e referências em saúde de modo geral; Yuval (em seu livro “Sapiens – uma breve história da humanidade”).

Já ficou doente durante uma viagem? Se sim, como foi?

Não. Costumo dizer que diariamente, e a cada minuto, colho os frutos de uma vida saudável. Quebrei um dedo da mão ao cair durante uma corrida numa trilha escorregadia. Foi tranquilo, graças ao serviço público de saúde do local onde eu estava.

E a vida amorosa, como conciliar?

Acho que as gurias acabam me vendo como uma espécie de “símbolo de liberdade”. Temos momentos maravilhosos juntos, regados a conversas profundas sobre a vida e afeto sem barreiras, travas ou tabus.

Como concílio? Não sei se concílio, rsrs. As coisas acontecem no aqui e no agora e se mantém assim, mesmo com a distância. Acho que tudo rola muito naturalmente: desde as aproximações até os afastamentos.

 

Algum fato engraçado? Que história mais te marcou?

Tenho uma dificuldade imensa de lembrar de casos específicos e costumo olhar minhas próprias fotos e textos para relembrar. Recentemente um policial ia prender o motorista que estava me dando carona mas, ao saber que eu tinha carteira, salvou o dono do veículo ao exigir que eu dirigisse até sua casa, 50km mais à frente.

Um caso marcante foi de susto, mesmo: inexperiente, no início da viagem, fui surpreendido pelo segurança do posto de gasolina abandonado onde eu estava trocando de roupa para logo dormir. Fui flagrado nu, num breu total, e o cara se assustou acho que tanto quanto eu. Gritamos muito mas havia muito eco. A discussão inaudível só terminou quando o segundo segurança disparou um tiro de efeito moral (neste momento eu fiquei quieto, rsrs). Quase infartei.

Quais são as maiores dificuldades que você enfrenta? E os benefícios?

Dificuldades: armar a barraca quando está chovendo. Recentemente passei uma noite inteira numa loja de conveniência, esperando a chuva passar. Mas, de férias, dormi das 5 às 17h, depois. Rsrs.

Benefícios: todos os dias penso “caramba, eu tô de férias pro resto da minha vida! Falo três línguas! Posso rodar o mundo e tenho saúde demais da conta! Será que eu mereço tanto?? Mereço, mereço…”

Se arrepende de algo? Que aprendizados essa aventura já trouxe?

Não me arrependo de absolutamente nada. Cometi erros que, se não os tivesse cometido, não sei o que teria acontecido. E ninguém sabe o que as infinitas possibilidades da vida poderiam ter causado no presente. Só nos resta, no presente, ser grato ou arrependido. Eu escolho ser grato.

Os maiores aprendizados não tem a ver com o fato de ser nômade. Tem a ver com o fato de: 1) ter muito tempo livre para pensar e conversar; 2) conhecer pessoas e histórias de vida incríveis; 3) ter tempo para experimentar de tudo (e obviamente não me refiro a coisas que custam dinheiro).

Que conselho você dá para quem quer começar a vida de mochileiro?

Gaste pouco. O que escraviza não é o trabalho, é o consumo. Não te rendas ao que tentam te vender. E não morra.

 

Projeto 10 anos de férias gastando R$ 10 por dia

Como você percebeu, passar 10 anos de férias gastando R$10 reais por dia requer muita motivação e planejamento. Porém, mesmo sendo um projeto ousado, Tarso está conseguindo realizá-lo. Que tal usar a história dele como inspiração para realizar projetos mais adequados à sua realidade?

Por exemplo, conhecer as praias da sua cidade, viajar para as chapadas brasileiras, explorar os parques nacionais ou até realizar uma única viagem para o destino dos seus sonhos.

Gostou do texto? Então siga o perfil de Tarso Gonçalves no Instagram. É por lá que ele compartilha as suas aventuras reflexivas e inspiradoras.

Já pensou em viajar para a Islândia? Cearenses mostram tudo sobre a terra do fogo e do gelo

A Islândia é conhecida por suas condições extremas: são 102 km² de paisagens vulcânicas e glaciais, além de pedras, geleiras, placas tectônicas, fiordes, cachoeiras e águas termais. Viajar para a Islândia é estar preparado para uma instabilidade climática que virou até ditado popular: “Se você não gosta do tempo na Islândia, espere cinco minutos”.

Mas a maior vantagem do lugar é o contato com o poder magnífico da natureza, que rende belas imagens. E foi com esse objetivo que o casal de fotógrafos Fábio Arruda e Viviane Mesquita saiu do Ceará para conhecer e captar imagens desse país tão impressionante!

Quer saber o que eles registraram por lá e descobrir curiosidades da Islândia? Então continue a leitura!

FOTO: Impressões de Viagem

Impressões de Viagens na Islândia

O Impressões de Viagens é um projeto fotográfico e audiovisual que busca conhecer, aprender e apresentar paisagens de natureza surpreendente e espetacular. Comandado pelo fotógrafo Fábio Arruda e sua esposa, também fotógrafa, Viviane Mesquita, o projeto é multiplataforma: tem site, fanpage, youtube e instagram.

O objetivo é unir fotografia, ecologia e viagens, com produções que promovem a sensibilização ambiental, mostrando as belezas dos biomas, as culturas e a riqueza natural do planeta.

E o que o projeto foi fazer na Islândia? Quem responde é o próprio Fábio: “A Islândia, inicialmente, era um sonho da Viviane que não demorou muito se tornar um sonho nosso. Conhecer a ilha mais viva da terra, de natureza bruta e intensa gerou um obsessão que passamos a compartilhar”.

Já consegue imaginar o nível das fotos e vídeos captados? Então veja esse teaser de 1 minuto antes de ler a descrição dessa incrível experiência:

A viagem

Fábio e Viviane saíram do Brasil em um voo direto Fortaleza – Frankfurt (Alemanha). Depois seguiram para Reykjavík, capital da Islândia. O casal teve o patrocínio de duas empresas durante a estadia na Islândia.

Northbound viabilizou a internet para o casal em todo o território da ilha com um chip internacional. Já a Happy Campers forneceu acessórios necessários para a viagem e um veículo adaptado para o país: nele é possível dormir, cozinhar e trabalhar durante o deslocamento. E o melhor: o carro também tem conexão com a internet!

O aluguel desse tipo de carro é muito utilizado por turistas na Islândia, pois além de econômico, permite conhecer diversos lugares sem precisar parar para realizar procurar por hotéis, restaurantes e  transporte local. As estradas são bem sinalizadas, portanto fica fácil dirigir. A não ser em casos de tempestades de neve, como Fábio e Viviane enfrentaram. Mas nada insuportável, o fenômeno da natureza só deixou a viagem mais emocionante.

A preparação

A ilha por si só já é uma grande atração, portanto é importante definir o que deseja conhecer antes mesmo de conhecer o país. O planejamento da viagem durou 6 meses, incluindo muitas pesquisas:

  • estudo sobre a geografia local e clima;
  • preparação financeira;
  • escolha dos pontos de interesse;
  • logística de deslocamentos;
  • período (eles escolheram a primavera);
  • simulações no Google Maps;
  • criação de um roteiro geográfico.

Mesmo com toda essa preparação, Fábio e Viviane foram surpreendidos com algumas mudanças bruscas de temperatura e deixam um recado: “não subestimem o clima da Islândia”.

A adaptação ao clima e à gastronomia

De acordo com o casal, a maior dificuldade foi com o clima imprevisível do país. Devido à neve, chuvas e vento forte encontraram algumas dificuldades na estrada e para utilizar o drone. Também precisaram comprar roupas especiais para suportar as baixas temperaturas.

E a gastronomia seria a segunda dificuldade, caso não tivessem pesquisado antes e constatado que a alimentação na Islândia é muito cara e poderia até inviabilizar a viagem. Por isso, escolheram uma campervan como meio de hospedagem e abasteceram o carro com massas, molhos, frios e snacks. A qualidade da comida islandesa foi uma surpresa para eles.

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A experiência

Das vivências adquiridas, a mais marcante foi o contato com a natureza bruta da ilha, praticamente intocada em alguns pontos. Conviver com os elementos terra, fogo, ar e água de forma intensa, além de percorrer um país com geografia que remete a eras geológicas do planeta foi fascinante para o casal. Entre as atividades mais inesquecíveis estão:

  • andar por crateras de vulcões;
  • ver atividades geotermais;
  • assistir à água brotando do chão com temperatura de até 100 ºC.

O contato com os animais

Captar imagens da vida selvagem é uma das maiores motivações do Impressões de Viagens. Portanto, prepare-se para ver muitos animais nas imagens registradas. Na Islândia, foi possível registrar algumas aves marinhas, como os puffins (Fratercula) — a espécie também é conhecida como papagaio-do-mar.

Foi uma aventura a parte chegar até seus ninhos, eles se encontram na ponta mais oeste da ilha, portanto o extremo oeste da Europa, em um fiorde chamado de Látrabjarg. Um dos bichos mais lindos que tive o prazer de ver e fotografar”, confessa Fábio Arruda.

Outros animais que o casal teve contato foram os cavalos islandeses, espécies descendentes dos cavalos vikings, e a raposa do ártico — único mamífero terrestre que conseguiu chegar à ilha em sua formação, todos os outros foram introduzidos pelo homem. “A Viviane viu uma dessas raposas quando estávamos atravessando os fiordes, foi muito rápido e não deu tempo parar e tentar fotografar, fica para próxima”, comenta.

A estratégia de viagem

Como expliquei no início do texto, o planejamento é primordial para realizar uma viagem. Os interesses precisam estar bem definidos para construir um roteiro específico para os seus interesses. Fábio e Viviane programaram a ida pra Islândia durante a primavera e por isso não puderam ver a famosa e desejada Aurora Boreal, que fica mais visível no inverno.

Mas isso não foi um problema porque já tinha sido previsto e é daí que vem o grande ensinamento para os viajantes: foque no que realmente importa para você. Não crie um roteiro baseado apenas em pontos turísticos, escolha lugares que você tem interesse em conhecer, que vão trazer algum aprendizado ou que façam parte de algum desejo ou curiosidade sua. Afinal de contas, a viagem tem que ser uma experiência boa para você. Foque no te faz feliz e divirta-se, assim como Fábio e Viviane fizeram.

“Foi uma questão de escolha durante o planejamento. Seria muito mais difícil viajar no inverno e descobrimos que a ilha é surpreendente e que teriam várias outras paisagens que são impossíveis no inverno. Mas temos a intenção de voltar especificamente para ver a aurora boreal”, explica Fábio.

Vlog criado para mostrar como é viajar para a Islândia

As imagens captadas renderam várias fotos e 17 vídeos que estão disponíveis no Youtube. Reuni uma lista com todos para ficar mais fácil de assistir, confira:

  1. Islândia, do sonho à realidade na terra do gelo
  2. Vamos morar no carro, Happy Campers na Islândia
  3. Aventura começou | Rodando pela Islândia
  4. Westfjords, nevaska e puffins | Rodando pela Islândia
  5. Acordamos cobertos de neve! Cruzando os Westfjords | Islândia
  6. Linda cachoeira e sufoco na estrada… Cruzando os Westfjords | Islândia
  7. Saindo do Westfjords | Rodando pela Islândia
  8. A cachoeira dos Deuses, Goðafoss | Rodando pela  #Islândia
  9. Subimos no vulcão! 😱 | Rodando pela #Islândia
  10. Surpresas nas estradas | Rodando pela #Islândia
  11. Tour pela campervan #happycampers | Rodando pela #Islândia
  12. Camping com vista para cachoeira, que tal? | Rodando pela #Islândia
  13. CONTEMPLAÇÃO! Skogarfoss & PlaneWreck |Rodando pela #Islândia
  14. Dia de sol e céu azul | Rodando pela #Islândia
  15. Entre placas tectônicas | Rodando pela #Islândia
  16. Melhor banho da viagem – Blue Lagoon | Rodando pela #Islândia
  17. Islândia em 1 min!! Do sonho a realidade na terra do gelo

Curiosidades sobre a Islândia

Se você chegou até aqui e viu algumas imagens sobre a Islândia, já percebeu que apesar de pouco divulgado e explorado, esse país tem muito a oferecer aos seus visitantes. Mas além das belezas naturais, há muitas características peculiares que valem a pena conhecer. Veja 10 curiosidades sobre a ilha:

  • a Islândia tem o mesmo tamanho que a Inglaterra;
  • apesar de ser conhecida como a terra do gelo, as temperaturas da ilha variam entre -2ºC a 15ºC;
  • durante o solstício de verão no Hemisfério Norte, os dias têm até 21 horas de sol, fenômeno chamado como sol-da-meia-noite, ele se põe à meia-noite e amanhece às 3 horas da madrugada;
  • o país tem duas placas tectônicas: a norte-americana e a euroasiática;
  • um de seus artistas mais conhecidos é a cantora Björk;
  • as paisagens da Islândia já serviram de set de filmagem para grandes produções como Game of Thrones, Batman Begins, Interstellar e Thor: o mundo sombrio;
  • na década de 60 o lugar já foi usado pela Nasa para treinamento do programa espacial da Apollo;
  • a maioria das pessoas não tem sobrenome, geralmente apenas o nome do pai ou da mãe com algum sufixo é utilizado para complemento;
  • a maioria da população acredita em elfos;
  • um em cada 10 habitantes da Islândia já publicou um livro.

Viajar para a Islândia é conhecer um mundo totalmente novo, desde a geografia local, natureza até à convivência com os nativos. Já pensou conversar com alguém que já escreveu um livro em uma ida despretensiosa ao supermercado? Na Islândia é possível. Se por um lado, o país é uma verdadeira biblioteca a céu aberto para estudiosos, cientistas e pesquisadores, para os turistas a Islândia é um verdadeiro parque de diversões!

Já tá se imaginando na ilha? Então comece aprendendo o vocabulário: use “godan daginn” para dizer bom dia e “takk“para obrigado. E para ver mais imagens incríveis, siga as redes sociais do Impressões de Viagens. Há conteúdos em várias plataformas: site, fanpage, youtube e instagram.

Cearense relata experiência de largar tudo para morar na Irlanda

Imagine você, que tem um sonho de aprender a língua inglesa, largar um emprego estável, a família e os amigos para se arriscar em um país que não conhece. O que para muitos poderia ser loucura, para Napoleão Fonteles foi realidade. Há quatro anos saiu do Bairro Messejana, em Fortaleza, para morar em Dublin, onde já passou por diversos empregos, melhorou o inglês, mas não pensa em voltar para o Brasil.

Escolheu a Europa pela facilidade de visitar outros países. Para conseguir realizar a viagem,  pensou em vender água nos semáforos de Messejana, bairro que morava em Fortaleza. Mas optou por um alimento que pudesse ser vendido por ele e amigos que se solidarizassem à causa, então aprendeu a fazer brownie e o vendia por onde passava. Em pouco tempo conquistou o objetivo e iniciou a etapa do intercâmbio.

O período de adaptação foi complicado porque nunca havia morado só ou mesmo se preocupado com contas para administrar. Dividiu a casa com quatro pessoas e teve que buscar equilíbrio para aprender a lidar com as diferenças. Outro desafio era encontrar produtos que não eram comuns, como requeijão. “Um dia eu descobri que tinha em um mercadinho indiano. Foi muito engraçado, porque não imaginava que ía achar lá, e também era muito caro”, relembra.

Adaptação

A primeira aula no curso de inglês causou medo. Havia pessoas de diversos países e, por não entender bem o que conversavam, o cearense pensou em desistir. “Era gente da Venezuela, da Coréia, alguns brasileiros. Na primeira semana eu fiquei muito aterrorizado. Pensei em voltar pro Brasil e sair correndo, mas vi que eu tinha que encarar”.

Napoleão trabalhou em restaurantes Irlandês e Francês, no Estádio Aviva, em cozinha de golfe, academia e também foi kitchen porter (lavador de pratos) no Google. No início, trabalhou de graça durante um mês em um hotel, em troca de comida e certificado.

Enfrentou preconceito por ser brasileiro em alguns momentos, mas ao trabalhar como Rickshaw – uma espécie de táxi usando uma bicicleta – era cumprimentado com muita alegria ao apresentar-se como brasileiro e até cearense.

Empolgado com a energia dos clientes, ele gravou vídeos e publicou na internet. Em um deles, um grupo de irlandeses canta a música “Ai, se eu te pego”, do cantor Michel Teló logo após saberem a sua nacionalidade. E mais inusitado ainda, um argentino cantou a música “Morango do Nordeste”, de Lairton dos Teclados

Até o momento já visitou seis países, nove cidades e o campo de refugiados em Auschiwitz, onde teve uma experiência marcante. “Eu ouvia que não tem como não se colocar no lugar daqueles judeus. Foi bastante forte quando eu entrei em uma das salas onde são mantidos os cabelos das mulheres, que eram cortados quando elas chegavam no campo. A parte dos brinquedos das crianças também me marcou”, relata.

A seguir, o cearense relata peculiaridades sobre viver em Dublin.

Festa tradicional irlandesa. (FOTO: arquivo pessoal)

Festa tradicional irlandesa. (FOTO: arquivo pessoal)

De acordo com a sua experiência, qual o tempo necessário para aprender inglês morando na Irlanda?

Depende do nível de inglês que cada um tem e da sua disposição. Mas acredito que, no mínimo, um ano, sendo seis meses de curso e seis meses trabalhando.

Como é ser um brasileiro na Irlanda?

A população brasileira aqui em Dublin, se eu não me engano, é a maior. Em todo canto que for, tem muitos brasileiros. Mas existem muitos irlandeses e gringos que quando conhecem um brasileiro ficam muito felizes. Ao mesmo tempo tem uns caras que fazem aquela brincadeira “ah, brasileiro, tem as mulheres mais gostosas”, perguntam se só é carnaval.

Se sentiu excluído por ser brasileiro?

Algumas vezes. Uma delas foi quando eu estava trabalhando em um restaurante francês e um dos garçons me olhou com uma cara de desprezo quando disse que era brasileiro. E continuou: “ah, você é do Brasil, mas pelo menos é de São Paulo”. Eu disse que não, que era do nordeste. Aí ele fez outra cara de desprezo e começou a debochar de mim.

Já fui agredido por um grupo comum em Dublin, parecido com os “vetim” de Fortaleza. Eles costumam agredir verbalmente e até fisicamente os estrangeiros. Foram situações que me deixaram chateado, mas nada que eu pense “ah, vou voltar para o Brasil”. No geral, amo essa cidade, amo esse país.

Na outra semana aconteceu algo mais triste. Eu estava voltando do trabalho umas 23h e uma irlandesa me parou, pedindo para eu dar dinheiro para um mendigo. Eu falei “infelizmente eu tô sem grana”. Ela me xingou e disse “você é uma merda (sic) de um estrangeiro”, como se eu tivesse obrigação de dar o dinheiro só por estar no país dela.

Quando ela falou isso, eu fiquei muito triste, me sentindo muito mal. Mas sei que não posso generalizar, o povo irlandês não é desse jeito, eles são muito amigáveis e simpáticos.

Vivenciou histórias engraçadas?

São dois lados da moeda, tem uma galera que fala mal do Brasil e tem a que ama o Brasil. Quando eu trabalhava como rickshaw [táxi de bicicleta], dei carona para uma holandesa e ela perguntou de onde eu era. Quando eu falei que era do Ceará, ela disse: “Nossa, eu não acredito! Do Ceará? Eu passei 18 dias em Jericoacoara, você provavelmente vivia lá”. Eu nunca fui em Jericoacoara!  A mulher quase que me batia depois dessa. (risos)

Outra vez dei carona para um argentino e quando eu falei que era do Ceará, ele falou: “Não acredito! Eu amo o Nordeste, eu sou o argentino mais brasileiro do mundo! Eu amo o moranguinho do nordeste. E eu “como é, velho”? Daí ele começou a cantar, foi muito engraçado.

Recomenda a experiência para outros brasileiros?

Recomendo pra todo mundo, jovem, adolescente, idoso. O ponto positivo é que você vai ver que o mundo é muito pequeno pra você ficar no mesmo canto pra sempre, sem expandir. O ponto negativo é que você vai querer sempre viajar. Quando você mora em um lugar onde as coisas funcionam, você pensa “poxa vida, porque não pode ser assim no Brasil”?