(FOTO: Fábio Arruda)

UBAJARA: Como é hospedar-se na Pousada Gruta?

Ubajara é conhecida como a capital do turismo da Serra da Ibiapaba. O clima agradável e a vegetação exuberante atraem visitantes de diferentes estados — principalmente do Ceará e do Piauí. Basta conhecer um pouco sobre seus diferentes tipos de turismo (ecológico, de aventura, cultural e religioso) para se apaixonar e programar a viagem. E que tal iniciar pela escolha da hospedagem? Vou contar a minha experiência com a Pousada Gruta.

LOCALIZAÇÃO

Posso dizer que esse é um dos principais motivos para a hospedagem, pois a pousada fica a 200 metros de distância do Parque Nacional de Ubajara, maior atrativo da região. A proximidade com a mata torna o clima ainda mais agradável: você se sente no meio da floresta. Além do verde ao redor, acordar com o som dos pássaros deixa o dia muito melhor.

Você pode aproveitar o dia para conhecer os pontos turísticos da cidade:

  • Praça do relógio;
  • Letreiro da entrada da cidade;
  • Cachoeira do Boi Morto;
  • Santuário Mãe Rainha;
  • Arrocha Park;
  • Rosa Reijers;
  • Castelo Club (casa de shows);
  • Casa da Família Magalhães (primeira casa construída em Ubajara).
(FOTO: Fábio Arruda)

(FOTO: Fábio Arruda)

ÁREA VERDE

Logo na entrada você encontra grandes árvores e um gramado tão verde que dá vontade de se deitar (o que eu fiz, obviamente). O lugar também têm peças rústicas como mesa, bancos e um caramanchão com flores.

No jardim, você pode descansar sob a sombra das árvores e observar as aves que passeiam no local. Se der sorte, verá dois pavões abrindo suas penas coloridas. E o que falar dos coelhinhos que circulam na pousada? São um charme!

AMBIENTE FAMILIAR

Como o próprio site diz, a Pousada Gruta é formada por uma família que recebe outra. O proprietário, Sr. Gomes, faz questão de recepcionar os visitantes e deixá-los à vontade, como se estivessem hospedados na casa de um parente. Atencioso, ele cuida de cada detalhe para proporcionar conforto e bem-estar aos hóspedes. Está sempre disponível para uma boa prosa, contando suas vivências e curiosidades sobre Ubajara.

BEBIDA LOCAL: MARACUCHAÇA

Essa é uma bebida artesanal, criada e patenteada pelo Sr. Gomes. Ela é servida dentro de um maracujá e tem sabor único. Sem dúvidas, você precisa experimentar!

(FOTO: Fábio Arruda)

(FOTO: Fábio Arruda)

ESTRUTURA

A pousada tem 17 espaçosos e confortáveis apartamentos, 2 restaurantes, área verde e jardim. Existem várias espécies de flores e árvores ao redor da pousada, além da presença de pássaros, pavões e coelhos, que fazem a alegria de adultos e crianças. A internet WI-FI funciona bem tanto nos quartos quanto nas áreas comuns.

Quartos

Os apartamentos são divididos em 3 categorias: duplo, duplo com acesso para pessoas com mobilidade reduzida e triplo. Os quartos ficam no térreo e no piso superior. Todos eles têm varanda com vista para a vegetação.

O espaço interno é amplo e confortável, com roupa de cama e de banho à disposição. Além disso, os quartos têm televisão, frigobar, poltrona e móvel para guardar a bagagem. E apesar do clima ameno, todos têm ar-condicionado.

Banheiros

Os banheiros são novos, limpos e espaçosos. Oferecem ducha quente para melhor conforto térmico dos visitantes. São adaptados para receber pessoas com mobilidade reduzida.

(FOTO: Fábio Arruda)

(FOTO: Fábio Arruda)

RESTAURANTES

A pousada conta com dois restaurantes no mesmo espaço. No início do dia, de 7h30 às 9h30 é servido o café da manhã para todos os hóspedes. Durante o almoço, de 11h às 15h, funciona o Restaurante Regional e no jantar, a partir das 18h, funciona o Bragatelli. Os restaurantes também são abertos ao público.

Café da manhã

Na minha opinião, essa é uma das melhores partes de uma hospedagem. E na Pousada Gruta, a refeição é caprichada! As frutas orgânicas, queijos, pães e bolos artesanais enchem a mesa, com diversas opções de complementos. Nas bebidas têm café, leite, sucos e chás. E para deixar a refeição mais regional, que tal ovos, tapioca e cuscuz preparados na hora? Essa é a sugestão do próprio Sr. Gomes, que faz questão de atender os hóspedes e preparar as refeições de acordo com as preferências dos visitantes.

O serviço diferenciado é um bônus à mesa disposta com o modelo “self-service”. Outro destaque é para a variedade de frutas, que deixam o prato com diversas cores e sabores: laranja, abacate, melão, mamão, banana, goiaba e manga. E o melhor de tudo: o valor do café da manhã já está incluso na diária.

Restaurante regional

Ele é especializado em comida brasileira, com destaque para os churrascos e comida regional: galinha caipira, carneiro guizado e capote. Para o acompanhamento, peça salada orgânica e a deliciosa macaxeira frita. Os sucos naturais também são ótimos!

Restaurante Bragatelli

À noite, a gastronomia é comandada pelos estudantes de gastronomia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). A decoração e iluminação do lugar é diferenciada e o cardápio traz massas artesanais, bebidas especiais e sobremesas francesas. É um ambiente romântico e agradável.

(FOTO: arquivo pessoal)

(FOTO: arquivo pessoal)

ESTADIA

A estadia na Pousada Gruta é tranquila e agradável. É um serviço completo de boa localização, gastronomia, limpeza e cordialidade. Você realmente fica com a sensação de pertencer a um lar.

SERVIÇO

Pousada Gruta
Endereço: Av. César Calls de Oliveira Filho, s/n – Ubajara, CE, 62350-000
Contato:  (88) 3634-1375/ 99806-0333
Site | Fanpage | Instagram

5 dicas para explorar os encantos do Parque Nacional de Ubajara

Quem pensa que no Ceará só tem Sol e calor está muito enganado. As regiões serranas reservam um clima agradável e paisagens inesquecíveis. É o caso do Parque Nacional de Ubajara está localizado na Chapada da Ibiapaba — região norte do Ceará. Para quem está em Fortaleza, a distância de 321 km pode ser uma barreira, mas vale cada quilômetro percorrido. E neste texto eu vou explicar o porquê.

O Parque Nacional de Ubajara é um paraíso para os amantes da natureza e praticantes de atividades físicas ao ar livre. Um lugar para descansar, relaxar e curtir as atrações naturais: mirantes, cachoeiras e trilhas. Prepare-se para passar o dia rodeado de árvores centenárias e vegetação exuberante. Confira as principais atividades do lugar:

  • caminhada;
  • passeios de bicicleta;
  • roteiro histórico-cultural;
  • observação da fauna e da flora;
  • caminhada noturna na lua cheia;
  • trilhas (Ibiapaba, Samambaia e Araticum);

O Parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade — ICMBio. Devido à sua riqueza natural, o lugar é utilizado para realizar pesquisas científicas, atividades de educação e interpretação ambiental, atividades recreativas de contato com a natureza e para o turismo ecológico.

O acompanhamento do guia é obrigatório tanto para os passeios pelas trilhas quanto para visitar a Gruta. E também é recomendado fazer o passeio com, no mínimo, cinco pessoas. Essa é uma medida de segurança para os visitantes. Os guias fazem parte da Cooperativa de Trabalho, Assistência ao Turismo e Prestação de Serviços Gerais – COOPTUR.

Uma das grandes características do parque são os dois ecossistemas: mata úmida e mata seca. A transição entre esses dois ambientes tão diferentes enriquece ainda mais a biodiversidade. Vale ressaltar que a região têm considerável ocorrência de chuvas e ambiente semi-árido, a caatinga.

Vista do Mirante da Gameleira (FOTO: Rosana Romão)

Vista do Mirante da Gameleira (FOTO: Rosana Romão)

O parque cobra uma taxa de visitação para manutenção e preservação do espaço. Mas o visitante escolhe as áreas que deseja conhecer e paga apenas pelas que escolheu. Confira a tabela de valores.

Local Valor
Roteiro Histórico-Cultural R$ 5
Trilha da Samambaia (Arvorismo/Mirante Gameleira) R$ 8
Trilha da Samambaia (Cachoeira do Cafundó) R$ 15
Circuito Gavião R$ 20
Trilha completa (Samambaia/Cafundó/Gruta de Ubajara) R$ 30
Trilha Bike R$ 50
Trilha Noturna R$ 15

OBS: Esses valores são de maio/2018.

1. COMO CHEGAR?

O parque está localizado entre os municípios de Ubajara, Tianguá e Frecheirinha. O endereço exato é Rodovia da Confiança CE-187, Zona Rural. CEP: 62.350-000. Você pode ir de carro ou de ônibus rodoviário. A distância entre o terminal rodoviário e o parque é de 3,7 km. A passagem Fortaleza – Ubajara custa aproximadamente R$ 46 na categoria convencional e R$ 60 na categoria executiva. A viagem tem de 6 a 7 horas de duração.

Saindo de Fortaleza, você deve utilizar a BR-222 até chegar no município de Tianguá. Depois segue pela Rodovia da Confiança CE-187 por 15 km até a cidade de Ubajara. De lá até o parque são 2 km de distância, em uma rua pavimentada.

Outra opção é trafegar pela BR-020 até Canindé, distante 110 km. Depois segue por mais 106 km na CE-257, até chegar em Santa Quitéria. Em seguida, use a CE-463, que passa por Varjota e Reriutaba. Quando chegar em Guaraciaba do Norte, siga pela CE-187 que passa por São Benedito, Ibiapina e Ubajara, uma trajetória de 140 km.

Mas se você vem de Teresina (PI), o trajeto é feito pela BR-343 até a cidade de Piripiri (PI). Depois vai pela BR-222 até a Tianguá. Depois segue pela Rodovia da Confiança CE-187 até Ubajara.

Visual durante a trilha. (FOTO: Rosana Romão)

Visual durante a trilha. (FOTO: Rosana Romão)

Registro durante a trilha. (FOTO: arquivo pessoal)

Registro durante a trilha. (FOTO: arquivo pessoal)

2. QUANDO IR?

Os períodos de fluxo intenso acontecem durante as férias escolares e feriados prolongados. Se você gosta de um ambiente calmo, programe a sua visita no primeiro semestre, durante os meses de fevereiro a junho, com exceção dos feriados de Carnaval e Semana Santa. No segundo semestre, o período mais tranquilo é de agosto a novembro.

O clima também pode indicar a melhor época para conhecer o Parque. No primeiro semestre o clima oscila entre 16 e 18ºC durante a noite e entre 20 e 24ºC durante o dia. Já no segundo semestre a temperatura média é de 28ºC durante o dia e 19ºC durante a noite. A minha recomendação é o mês de maio, pois ele vem logo após o término do período chuvoso, que deixa a vegetação mais verde e bonita.

Cachoeira do Gavião. (FOTO: arquivo pessoal)

Cachoeira do Gavião. (FOTO: arquivo pessoal)

3. QUAIS AS ATRAÇÕES?

Teleférico

O teleférico (bondinho), suspenso por cabos de aço, é capaz de realizar um trajeto de 550 metros, entre a estação superior e inferior. A duração do passeio é de 3 minutos e proporciona uma vista privilegiada do parque.

Ele é administrado pela Secretaria de Turismo do Governo do Estado do Ceará e no momento não está funcionando. Segundo o órgão, que também é responsável pela sua manutenção, ainda não há data de previsão para o retorno das atividades.

Roteiro histórico cultural

É uma trilha curta, onde o guia apresenta todos os atrativos do parque e em seguida leva até o Centro de Visitantes, que têm informações históricas do parque. No local também há a Casa na Árvore, um vagão do bondinho para visitação e o Mirante do Pendurado. A entrada custa R$ 5.

Trilha da Ibiapaba

É a mais curta, com aproximadamente 300 metros. Ela começa na portaria principal do parque e segue até o estacionamento interno. Faz parte da entrada do parque e é gratuita. Também é acessível para pessoas com mobilidade reduzida. É um bom aquecimento para as principais trilhas.

Trilha da Samambaia

Ela é dividida em dois percursos: o primeiro leva até o Mirante Gameleira e o segundo até à cachoeira do Cafundó. A primeira opção é mais leve, ideal para idosos e pessoas acompanhadas com crianças. Já a segunda requer um pouco mais de esforço físico, mas nada que atrapalhe o passeio. No geral, os percursos são considerados de nível leve a moderado. Mas sempre que necessário, o guia realiza paradas para descanso e hidratação.

Mirante Gameleira

O trecho tem aproximadamente 1.250 metros. Primeiro você passa por um pequeno arvorismo e segue até o Mirante Gameleira, onde pode se deslumbrar com a vista panorâmica de grande parte da área do parque. De lá também é possível observar o Olho d’água da Pedreira e algumas cachoeiras.

Cachoeira do Cafundó

O percurso de 3 km de extensão e a trilha é considerada de nível médio. Ela leva até o Circuito das Cachoeiras. O visitante desce até à Cachoeira do Cafundó, que tem água gelada e um poço para banho, além de uma vista espetacular.

Cachoeira do Cafundó. (FOTO: Rosana Romão)

Cachoeira do Cafundó. (FOTO: Rosana Romão)

Trilha Circuito Gavião

Essa trilha é a mais completa, porque engloba o Mirante Gameleira, a cachoeira do Cafundó e a cachoeira do Gavião. O percurso é de 4 km e requer mais atenção e cuidado pois passa próximo ao penhasco. Por isso, a trilha é considerada de nível moderado. Todo o esforço é recompensado com lindos mirantes naturais e paradas para banho.

Cachoeira do Gavião. (FOTO: Rosana Romão)

Cachoeira do Gavião. (FOTO: Rosana Romão)

Cachoeira do Gavião. (FOTO: arquivo pessoal)

Cachoeira do Gavião. (FOTO: arquivo pessoal)

Trilha Ubajara/ Araticum

Essa é a trilha que dá acesso à Gruta Ubajara. Sua extensão é de 7km em um percurso de pedra, muito íngreme. A duração é de aproximadamente 6 horas de caminhada. Mas durante todo o trajeto, o visitante tem acesso à diversas belezas naturais: fauna, flora, riachos e cachoeiras.

Gruta Ubajara

A gruta tem 1,2 mil metros de extensão e 75 metros de profundidade em relação à entrada. O trajeto no interior da gruta é iluminado por refletores e o visitante tem acesso a uma extensão de aproximadamente 450 metros entre galerias, com desnível de 35 metros de profundidade.

Há uma lenda de que a gruta tem uma ligação até o Parque Nacional das Setes Cidades, no Piauí. Mas trata-se apenas de uma lenda, pois a distância dos dois pontos é maior do que 100 km. O local foi conhecido e explorado no século XVIII em busca de ouro e pedras preciosas. Na década de 40, o lugar foi utilizado para a realização de eventos religiosos: casamentos e missas. A trilha também era usada para o percurso de romarias.

Dentro da gruta, encontram-se formações calcárias belíssimas: estalactites, estalagmites, cortinas e cogumelos. No passado, devido ao brilho da calcita, as pessoas achavam que havia algum mineral ou metal precioso, o que gerou muita degradação. Por isso, a fiscalização é intensificada, a fim de preservar o local.

O acesso é feito por trilha ou pelo teleférico (atualmente fora de serviço por tempo indeterminado). Quando está funcionando, o bondinho deixa evidente a depressão de 535 metros em relação à Plataforma Superior do Teleférico. Durante o funcionamento, as visitas são realizadas das 9h às 15h, mas a última descida acontece às 14h30.

Gruta de Ubajara. (FOTO: divulgação)

Gruta de Ubajara. (FOTO: divulgação)

4. QUAIS AS RECOMENDAÇÕES?

 

  1. O visitante deve vestir-se e calçar-se adequadamente. Roupas leves e o uso de tênis ou bota são indispensáveis para os passeios. Leve também uma roupa de banho para aproveitar as cachoeiras. Se possível, separe uma pequena toalha para enxugar os pés e calçar novamente os sapatos após o banho, para que eles não fiquem pesados ou escorregadios.
  2. Outra recomendação importante é seguir as orientações do guia e não sair da trilha. Além de causar impacto ao meio ambiente, dificultando a preservação da natureza, você pode perder-se ou mesmo ter contato com animais como cobras e escorpiões. Essa é uma medida para a sua própria segurança, procure respeitá-la e seja um visitante responsável.
  3. O acesso às trilhas começa às 8h e encerra às 16h, com intervalos de 1 hora entre os grupos (compostos de 5 a 15 pessoas). O parque funciona de terça a domingo e encerra suas atividades às 17h.
  4. Caso viaje durante feriados prolongados ou meses de férias escolares (julho, dezembro e janeiro), entre em contato com a COOPTUR para agendar a sua visita à Gruta. Ela limita-se a 300 pessoas por dia, com intervalo de 15 minutos entre os grupos (limitados a 12 pessoas no máximo). Nesses casos, entre em contato com o Sr. Alex (88) 99942-3051, Welio (88) 99937-5544 ou Wesley (88) 99921-3266.
  5. O Parque possui uma lanchonete onde você pode se alimentar antes ou após os passeios. Caso não tenha levado a sua água, aproveite  para comprá-la antes de iniciar as trilhas.
Cachoeira do Cafundó. (FOTO: Arquivo pessoal)

Cachoeira do Cafundó. (FOTO: Arquivo pessoal)

5. ONDE SE HOSPEDAR?

 

Há diversos hotéis e pousadas na cidade. A maioria se encontra no centro de Ubajara, mas se você prefere ficar rodeado pela natureza, ouvindo o som das árvores, opte por uma acomodação na via que dá acesso ao parque. Ela tem 2 km de extensão e sua maior parte é residencial ou comercial, mas existem hotéis e pousadas próximas à entrada do parque.

É o caso da Pousada Gruta, que fica a menos de 200 metros de distância. É a opção perfeita para quem gosta de ficar rodeado pela vegetação e gosta da presença de animais: pássaros, pavões e coelhos são comuns. O lugar também possui restaurante, o que dá mais comodidade aos hóspedes. Uma boa dica é caminhar ou pedalar na rua no início da manhã. O clima é agradável e o visual encanta os olhos!

Gostou das dicas sobre o Parque Nacional de Ubajara? Se tiver alguma dúvida ou recomendação, deixe o seu comentário!

Serviço

PARQUE NACIONAL DE UBAJARA
Endereço: Rod da Confiança, 187 – Zona Rural – Ubajara/CE – CEP: 62.350-000
Funcionamento: terça a domingo, de 8h às 17h
Contato: (88) 3634-1388

Chega Mais Beach: a história do nativo que transformou o turismo de Canoa Quebrada

Quem conhece Canoa Quebrada, no Ceará, sabe da importância da Chega Mais Beach, uma barraca que começou pequena, mas atualmente é o maior empreendimento do ramo na região. Luís Nogueira Costa é o responsável por este feito, mas poucos conhecem o percurso que ele fez para chegar até onde está. São 22 anos à frente do negócio, que cresceu e tem gerado frutos.

Assim como outros jovens que moram no interior do Ceará, Luís veio à Fortaleza buscar uma oportunidade de trabalho. Morou e trabalhou na capital cearenses como entregador de remédio. Mas percebeu que poderia voltar para Aracati, ficar perto da família e tentar montar o próprio negócio.

“Surgiu a oportunidade de montar uma barraca com estrutura pequena. O nosso diferencial era o serviço. Sempre me preocupei com essa questão da qualidade”, destaca. Segundo o empresário, um dos maiores segredos para quem trabalha no ramo de alimentação e bebida é o atendimento. E isto foi o que diferenciou a Chega Mais Beach das outras barracas da região.

 

Início

Com apenas três funcionários e uma estrutura pequena, Luís conseguia tocar o negócio. A equipe era formada por dois cozinheiros, uma pessoa responsável pela limpeza e ele pelo atendimento. A passos lentos a barraca foi ficando conhecida e melhorando em qualidade e limpeza.

A chegada do Sebrae até o empreendimento melhorou, e muito, o lugar. “Recebi um cara do Sebrae que era do Selo de Qualidade. Eu nem sabia o que era. Ele vem dar toda uma orientação de como se deve trabalhar, amplia a sua visão. Foi muito importante a ajuda deles”, reconhece.

Com apenas 18 anos de idade ele investiu na barraca mesmo sem ter conhecimento do mundo dos negócios, e o Sebrae o ajudou a clarear as ideias. “Eu era menino véi, não tinha experiência, formação nenhuma. Nunca fiz faculdade. Foi na base da garra, da boa vontade”, relata.

Mudanças

A localização da barraca também foi um problema. Em Canoa Quebrada, as barracas se estabelecem na praia, próximo ao mar e às falésias. Logo, o Ministério Público do Ceará entrou na justiça para requerer a interdição de, pelo menos, 18 barracas, entre elas a Chega Mais.

O MPCE alegou que as barracas próximas às falésias sujeitava os frequentadores e trabalhadores a graves riscos, incluindo o de morte. Além de sofrer o processo de erosão/assoreamento pluvial. Desde então, foi um longo processo na justiça até a determinação final. Foi aí que Luís Nogueira iniciou o processo para mudar sua barraca.

“Não vou dizer que eu saí porque quis, na verdade nós fomos retirados à força. Mas hoje eu posso dizer que foi algo bom. Consigo trabalhar sem me preocupar com a maré, que já levou a barraca duas vezes. Assim como faz com meus colegas. Tinha gente que saía sem pagar, era um sufoco. Hoje nós não temos esse problema, eu nem sei quando a maré tá cheia e nem quando tá seca. Não tenho essa preocupação”, explica.

Luís Nogueira apresenta seu projeto de sustentabilidade a universitários. (FOTO: Pedro Martins)

Luís Nogueira apresenta seu projeto de sustentabilidade a universitários. (FOTO: Pedro Martins)

Chega Mais Beach

Parte da ampliação da barraca também teve o apoio do Sebrae. O complexo ficou pronto com 1 ano e 6 meses. A barraca ficou 1 semana sem funcionar durante a transição, até se estabelecer na região mais afastada da praia. O novo endereço já possui 1 ano e quatro meses, com melhoria na estrutura e ampliação na capacidade. “Lá a gente conseguia receber 300 a 400 pessoas no máximo, se a maré deixasse. Aqui a gente consegue receber 1,5 mil pessoas, triplicou”, acrescenta.

A mudança, foi um risco forçado, pois onde está localizada a Chega Mais Beach antes era apenas uma faixa de areia que não era frequentada. Atualmente, ainda existem barracas na região das falésias, mas Luís acredita que é questão de tempo para que todos os empresários se adaptem. Devido a distância e até falta de conhecimento de alguns, a barraca disponibiliza um bugue para buscar e deixar os clientes. O serviço pode ser solicitado gratuitamente na pousada. O empreendimento funciona diariamente de 8h30 às 17h30, com horário noturno em casos de eventos privados ou festas.

(FOTO: Pedro Martins)

(FOTO: Pedro Martins)

O novo endereço também trouxe uma novidade para a Chega Mais. Com espaço reservado para eventos pequenos como festas de formatura, aniversários, confraternizações e casamentos, o estabelecimento passou a receber grandes eventos com presença de bandas como Vila do Samba, Chicabana, É o Tchan, Jorge e Matheus, Durval Lelys, Nando Reis, Dorgival Dantas e Samira Show.

“O projeto não foi pensado para grandes eventos, mas depois da primeira festa, com o Vila do Samba, que colocamos 1 mil pessoas, tivemos uma repercussão muito boa. Daí a gente fez outros para testar. Nunca imaginei que a Chega Mais se tornasse uma casa de shows, como é hoje. E Canoa tem ganhado muito com isso”, esclarece Luís Nogueira.

A repercussão é positiva para Canoa Quebrada porque para divulgar o evento é necessário também divulgar o destino. Então, a mídia via  rádio, jornal, televisão e mídias sociais é positiva também para outros empresários do turismo. “A rede hoteleira ganha, restaurante, bugue, todo mundo ganha. Tem bugueiro que ganha 500 reais numa noite só trazendo gente do hotel pra cá. Mexe muito com a economia do lugar”, complementa.

(FOTO: Pedro Martins)

(FOTO: Pedro Martins)

(FOTO: Pedro Martins)

(FOTO: Pedro Martins)

Sustentabilidade

A Chega Mais Beach também possui uma preocupação com a sustentabilidade. Produz a própria energia devido à placas solares e possui um sistema com 80% do reaproveitamento de água. A água das chuvas é levada para um reservatório. Já 70% da madeira utilizada em sua estrutura é de reflorestamento, com certificação. Os banheiros possuem secador para mãos, ao invés de papel. A barraca conta também com a sombra de 87 coqueiros implantados.

“O turismo é feito de meio ambiente. Temos a preocupação com a área da sustentabilidade para preservar o máximo possível. Não dá para preservar muito se você constrói, mas você pode dar uma contrapartida”, destaca.

O tratamento de esgoto utilizado também é um diferencial. A tecnologia utilizada é a Bacia de Evapotranspiração (BET), também conhecida como “fossa de bananeiras”. Ela não utiliza produto químico e não gera nenhum efluente. Também evita a poluição do solo, das águas superficiais e do lençol freático. Os resíduos humanos se transformam em nutrientes para plantas e a água só sai por evaporação, portanto completamente limpa. “Para o empresário, inicialmente, é um custo caro, mas com pouco tempo se paga”, aconselha.

(FOTO: Pedro Martins)

(FOTO: Pedro Martins)

Detalhes

Há duas piscinas no complexo, sendo uma delas exclusiva para crianças. O valor para utilizar o serviço é de R$ 10. O almoço pode ser à la carte, ou self-service, ao custo de R$ 60 por quilo. Entretanto há opções diversificadas de saladas, peixes e carnes. Para os pequeno, há um fraldário e um pequeno playground. Outros serviços como massagem e passeios de bugue também são ofertados no entorno da barraca.

O engajamento de Luís Nogueira com o município de Aracati e com a praia de Canoa Quebrada é bastante ativo. O empresário está sempre disposto a buscar melhorias para o turismo local. Já foi até sondado sobre um possível ingresso na política, mas ele afirma não ter essa ambição. De fala simples e conversa acolhedora, ele acredita que consegue muito mais melhoria para Canoa com seu trabalho na Chega Mais Beach. E assim, o nativo continua transformando o turismo de Canoa Quebrada.

Serviço

Chega Mais Beach
Avenida da Integração, 860 – Praia de Canoa Quebrada
Contato: (88) 3421-7101 | (88) 9 9916-0023
Fanpage | Instagram

(FOTO: Pedro Martins)

(FOTO: Pedro Martins)

Moradores de Beberibe levam cores e criatividade para espaços públicos

A Associação Movimento Beberibe – AMO Beberibe se reúne desde agosto em prol de mudar a paisagem da cidade e região. Com lixeiras sustentáveis e frases espalhadas pelas ruas, o grupo deu um colorido ao ambiente. As ações fazem parte do projeto Descubra Beberibe, que será lançado neste sábado (12). O objetivo é modificar a paisagem local e, por conseguinte, o cotidiano de moradores e turistas durante o ano inteiro.

O lançamento contará com uma ação de limpeza da praia e a apresentação dos produtos desenvolvidos em colaboração, entre eles um site alimentado pela Associação. A ação já mobilizou cerca de 500 moradores e voluntários dispostos a cobrir os pontos mais críticos de quatro das 11 praias que compõem Beberibe – Morro Branco, Praia das Fontes, Praia do Diogo e Tabuba do Morro Branco. O projeto se propõe a cobrir todo o território da cidade gradativamente, à medida que o projeto avança.

A ação já mobilizou cerca de 500 moradores e voluntários dispostos a cobrir os pontos mais críticos das praias. (FOTO: divulgação)

A ação já mobilizou cerca de 500 moradores e voluntários dispostos a cobrir os pontos mais críticos das praias. (FOTO: divulgação)

Metade dos sacos de lixo foram doados, outra metade comprada, a preço de custo, pela AMO. As lixeiras foram feitas de pneus velhos por voluntários da Associação (espalhada pelas áreas urbanas, litorâneas e sertão). As placas também foram desenvolvidas voluntariamente, com mensagens positivas por um melhor aproveitamento das localidades, e oito bibliotecas de rua – uma delas na porção sertaneja do distrito.

As bibliotecas reaproveitaram estruturas já descartadas, como geladeiras sem uso. Com isso elas não só se mostram como novo recurso como são ideais para a proteção das publicações. Os livros podem ser retirados a qualquer momento – quem retira que se responsabiliza pelo retorno. A localização delas também está disponibilizada no site do projeto – onde está indicada, ainda, a forma de doação de mais livros.

(FOTO: divulgação)

(FOTO: divulgação)

O Descubra Beberibe atua também numa dimensão virtual. O projeto é construído coletivamente através da plataforma Trello, pelas redes sociais e pelo aplicativo Whats app, que tem sido uma ferramenta facilitadora na conquista de doações e ajuda mútua entre os entes do grupo.

O projeto se amplia, ainda, pela web, em ações estendidas, pois entende o turismo não está restrito às datas comemorativas ou períodos de alta estação. Uma melhor cidade para seus moradores é também uma cidade melhor para os visitantes. Assim, para divulgação do local e como meio de estreitar o relacionamento de moradores e turistas, a AMO Beberibe vem desenvolvendo um plano de atuação também pelo marketing digital, com a geração de conteúdo sobre a cidade, google ads, SEO, redes sociais, e-mail marketing e outros materiais digitais.

(FOTO: divulgação)

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La Frontera Tex-Mex: um destino mexicano em Fortaleza

Para quem é amante da cultura mexicana há um lugar especial em Fortaleza, o La Frontera Tex-Mex. O restaurante oferece pratos que combinam ingredientes e receitas famosas na região da fronteira entre o Texas, nos Estados Unidos, e o México (Tex-Mex). Para montar o cardápio do restaurante, a equipe responsável foi até a capital do México e a San Antonio, no Texas, considera a meca do Tex-Mex, para realizar a pesquisa de petiscos, pratos e sobremesas, além de uma variedade de cortes de carne especiais.

Em três espaços, o cliente encontra um ambiente climatizado e dois ao ar livre. Painéis, quadros e esculturas fazem referência às culturas texana e mexicana para deixar o público no melhor clima da fronteira. A decoração chama a atenção do visitante e já foi usada até como denário para editoriais de moda. O projeto é assinado por Francisco de Andrade Garcez Filho e equipe. Os “sombreros” são os queridinhos do público e sempre tem alguém que quer tirar foto com um para ficar de lembrança, como eu.

Na primeira visita, as fajitas são pedida obrigatória. Elas podem ser de filé bovino, frango ou camarão.  Acompanham cebola, mix de pimentões, queijo, guacamole, salsa vermelha e tortillas de trigo frescas. Os pratos podem ser acompanhados por drinques exclusivos e seis rótulos de tequila, entre outras bebidas tradicionais.

Os pratos agradam até quem não gosta de comida apimentada. (FOTO: Rosana Romão)

Os pratos agradam até quem não gosta de comida apimentada. (FOTO: Rosana Romão)

Os cortes especiais de carne são preparados no exclusivo forno a carvão Josper, o único no Norte e Nordeste.  O diferencial do forno espanhol está no fato de ser uma “churrasqueira” fechada com controle de calor, o que possibilita a otimização do uso do carvão. Desta forma, a cozinha pode oferecer o autêntico sabor de brasa com mais rapidez e eficiência, o que também garante a máxima retenção do suco da carne. Além de cortes especiais como T-bone e Prime Rib, destacam-se alguns sabores originais, como o miolo de alcatra grelhado com rub de café e especiarias.

Para petiscar com os amigos, a dica é provar os tradicionais nachos ou mesmo as hotwings com molho picante e agridoce que leva mel e melaço, e a costela suína servida com molho barbecue e batatas fritas.  A casa conta com três combos especiais.  Para grandes grupos, o Backyard Combo vem com hotwings, camarão grelhado, costela, chili cheese fries, tortilla chips e molhos selecionados.

O drink Margarita Frozen faz uma combinação perfeita com a comida apimentada. (FOTO: Rosana Romão)

O drink Margarita Frozen faz uma combinação perfeita com a comida apimentada. (FOTO: Rosana Romão)

Os drinques combinam cervejas, tequilas, vodkas, especiarias e pimentas.  Exclusividade da casa, o Frontera Spice é preparado com vodka e pimenta rosa.  Outras opções são Dos-a-Rita (Cerveja Dos Equis com Margarita) e Michelada (Cerveja e molho de pimenta).  

As sangrias (branca e vermelha) são orgulho da casa. E como não poderia faltar, destaque para as tequilas frozen de limão e melancia.

Dos pratos que provei, posso sugerir as Quesadillas de frango e Nachos com guacamole e salsa para petiscar. Depois as Fajitas de filé, que são servidas com pimentão, tomate e cebola. Para acompanhar esse prato super temperado, uma Margarita frozen, um drinque com gelo, tequila e limão.

Para sobremesa, dou duas opções porque sou a louca do doce: Nachos de chocolate com sorvete de coco e Quesadillas de doce de leite com sorvete de queijo. As duas são boas, mas a segunda é especial pelo sabor diferenciado do sorvete de queijo.

Inspiração

Da paixão pela gastronomia Tex-Mex, veio a inspiração do empresário Ranieri Almeida para trazer a Fortaleza um restaurante pioneiro. Ele morou nos Estados Unidos durante nove anos e lá fez uma pesquisa sobre a culinária local. “É um tipo de gastronomia muito bem sucedida nos Estados Unidos e em outras regiões do Brasil, mas que ainda não havia sido implementada em Fortaleza”, convida.

Serviço

La Frontera Tex-Mex Grill
Endereço: Rua Eliseu Uchoa Becco, 450, Guararapes
Telefone: (85) 3085-4130 | Fanpage | Instagram

Após investimento, Paracuru se consolida como destino turístico

A cidade de Paracuru, localizada a 85 km de Fortaleza, cheia de encantos naturais, agora tem mais um motivo a comemorar. Após investimento da rede hoteleira, apoio da gestão pública municipal e parceria com a maior operadora de turismo do Brasil, o local é vendido como destino para todo o Brasil.

lugar, que era mais conhecido pela população de Fortaleza e cidades próximas, com visitas em casas de veraneio em datas comemorativas, agora está de portas abertas para turistas de todo o Brasil. Para ampliar o número de visitantes, empresários de uniram para fortalecer a estrutura de hotelaria, gastronomia e lazer. Assim, a cidade está no mapa da CVC, maior operadora de turismo da América Latina, e preparada para receber viajantes de todo o Brasil.

“Se não tiver união, nada vai acontecer, o turismo não vai crescer. Nosso maior problema é fazer com que os filhos daqui também tenham essa visão, do que é investimento e do que é despesa”, afirma o ex-prefeito de Paracuru, Sidney Gomes. Ele garante que a noite do município se fortaleceu nos últimos anos, atraindo moradores e turistas de cidades próximas, como São Gonçalo do Amarante, Paraipaba e Trairi.

Paracuru tem dunas, lagoas e praia como atrativos naturais. (FOTO: Hotel Vento Brasil)

Paracuru tem dunas, lagoas e praia como atrativos naturais. (FOTO: Hotel Vento Brasil)

Mudanças

De acordo com o gestor municipal, algumas mudanças foram necessárias para esse fortalecimento, como a extinção de um luau que acontecia nas dunas, onde as pessoas se reuniam para ouvir o som dos “paredões”. Por não ter estrutura, ele decidiu acabar com a festa e disponibilizou espaço e horário para que esse público continuasse se divertindo, dessa vez na praça principal da cidade.

Outras adequações acontecem paulatinamente, como a orientação de não explorar os turistas em datas de grande movimentação, como carnaval, semana santa e réveillon. “Uma cerveja que custa R$ 7, o cara colocar para R$ 13, R$ 14? Não pode, isso espanta”, alerta. E uma das maiores preocupação do prefeito é o cuidado com a limpeza da cidade. Para que funcione da forma correta, ele pede para que a população e turistas colaborem com educação, jogando o lixo no local certo e não poluindo a cidade e a natureza.

Com a maré baixa, formam-se piscinas naturais na beira da praia. (FOTO: Hotel Vento Brasil)

Com a maré baixa, formam-se piscinas naturais na beira da praia. (FOTO: Hotel Vento Brasil)

Turismo fortalecido

Quatro hotéis da cidade se reformularam e criam atrativos para os turistas. As belezas naturais podem ser exploradas e descobertas, como é o caso dos “lençóis paracuruenses”, forma como os nativos chamam as lagoas formadas após o período chuvoso entre as dunas. O mar é cartão-postal para banhistas e praticantes de esportes náuticos, como surf, windsurf e kitesurf. A praça continua sendo a atração da noite, com música e comida boa. O povo, sempre receptivo, comemora a chegada dos visitantes.

A última lembrança que eu tinha da cidade é de quando ainda era criança. Na época, via mais o público familiar que saía de Fortaleza para passar finais de semana e feriados na cidade litorânea. Voltei para conhecer toda essa estrutura que a prefeitura, rede hoteleira e a CVC prepararam e posso dizer que é sim uma ótima opção de destino para turistas. Longe da badalação de grandes cidades, Paracuru oferece calmaria e beleza, o que considero o melhor entretenimento.

Lençóis paracuruenses. (FOTO: Rosana Romão)

Lençóis paracuruenses. (FOTO: Rosana Romão)

Onde ficar

Entre as pousadas e hotéis visitados, há opções para todos os gostos e bolsos. Para família com crianças, o Hotel Dunas de Paracuru é o mais indicado, pois tem piscina e um parque aquático com 9 brinquedos temáticos, além de um salão de jogos. A Pousada Sol e Lua é aconchegante e confortável, ideal para quem vai em grupo. Com varandas nos quartos e piscina de hidromassagem, é possível descansar e colocar os papos em dia.

Para os esportistas, a sugestão é o Paracuru Kite Village. Como o nome já diz, há uma estrutura preparada para receber kitesurfistas. Para quem gosta de natureza e um bom vento no rosto, o hotel tem uma linda vista para as dunas e vegetação. Por último, o Hotel Vento Brasil tem mais de uma opção. Com ótima localização, perto do mar e da praça da cidade, ele é escolhido tanto por esportistas quanto por casais e solteiros. Também tem opções voltadas para o público corporativo, com dois salões para eventos e reuniões.

Pousada Sol e Lua

Comandada pelo suíço Rolland, a pousada tem 13 quartos. Há quartos que acomodam até quatro pessoas e dois quartos são adaptados para receber cadeirantes. O estacionamento é fechado e possui vigia. A pousada é bem arborizada e possui uma área de lazer com piscina, churrasqueira, restaurante e piscina de hidromassagem. Os quartos são equipados com ventilador de teto, ar-condicionado, frigobar, TV e varanda com rede.

Os praticantes de kitesurf podem alugar o equipamento diretamente na pousada. Na área do restaurante há um espaço reservado para quem deseja assistir filmes, além de ter TV por assinatura. O espaço Cyber café possui dois computadores para uso dos hóspedes e a internet wifi é disponibilizada em todo o espaço. As diárias custam de R$130 até R$ 150, se forem pagas à vistas. Caso o pagamento seja no cartão, as diárias custam de R$ 150 a R$ 190.

Serviço

Pousada Sol e Lua
Rua Izaura Moreira Lima, 203.
Contato: (85) 3344-2055  | Site
E-mail: info@pousadaparacuru.com

Todos os quartos possuem vista para a piscina e varanda privativa. (FOTO: divulgação)

Todos os quartos possuem vista para a piscina e varanda privativa. (FOTO: divulgação)

Hotel Dunas de Paracuru

O hotel tem características de três estrelas e está localizado em meio a dunas, mar e um coqueiral nativo. A brisa é constante nas varandas do local, que possui 33 suítes voltadas para a piscina. Todos os apartamentos possuem TV LCD, frigobar, ar-condicionado split, cofre, chuveiro elétrico e wifi. A área de lazer é formada por salão de jogos, com sinuca, totó e carteado, campo de futebol society, play-ground, churrasqueira, espaço para redes e parque aquático com nove brinquedos temáticos.

Há a opção de hospedagem com alimentação inclusa, no restaurante e bar, com refeições a la carte e self service. Há um auditório com 50 lugares, utilizado para eventos. O hotel também dispõe de guarderia de equipamentos para praticantes de kite e wind surf, além de transfers executivo ou em grupo para city-tour e aeroporto. A internet wi-fi é disponibilizada em todas as áreas. As diárias custam a partir de R$ 110.

Serviço

Hotel Dunas de Paracuru
Rua Gabriel Ferreira Neri, Paracuru.
Site | Fanpage

A grande atração do Hotel Dunas é o parque aquático. (FOTO: divulgação)

A grande atração do Hotel Dunas é o parque aquático. (FOTO: divulgação)

O hotel é cercado por dunas. (FOTO: divulgação)

O hotel é cercado por dunas. (FOTO: divulgação)

Paracuru Kite Village

A Pousada Paracuru Kite Village nasce aos pés das dunas de Paracuru, onde se encontra um parque natural protegido. Em volta de uma vegetação tropical e belas dunas, tem área de cerca de 2,5 mil metros quadrados. A pousada está inserida em parque natural, cortado por um rio, povoado por iguanas, pássaros e pequenos sagüis. Possui 6 suítes em chalés e 9 suítes standart. Os quartos possuem ar-condicionado, ventilador, TV, frigobar, chuveiro elétrico. Cada apartamento possui sua própria varanda, com rede, onde poderá ser servido o café-da-manhã, conforme pedidos.

A estrutura é compostas por uma extensa área verde, com piscina, deck e restaurante com churrasqueira e forno a lenha. O restaurante é aberto à noite, com pratos italianos e pratos com a culinária local, grelhados de carne, peixe fresco e também forno a lenha para pizzas e pães. É possível organizar pequenas festas com música ao vivo e DJ.

Na sala central, onde é servido o café da manhã,  há um projetor de vídeo para ver filmes e vídeos, à disposição dos hóspedes. Há também uma guarderia coberta e fechada para armazenas, lavar e secar equipamentos esportivos, como kite e windsurf. A diária na categoria standart custa R$ 130 na baixa temporada e R$ 160 na alta temporada. Já nos chalés a diária custa R$ 180 na baixa e R$ 200 na alta temporada.

Serviço

Paracuru Kite Village
Rua Capitão José Teles, 8, Paracuru.
Telefone: (85) 3344-1502 e (85) 9 8147- 0915
Site | Fanpage

Hotel possui restaurante próprio com cardápio refinado. (FOTO: divulgação)

Hotel possui restaurante próprio com cardápio refinado. (FOTO: divulgação)

Hotel é rodeado por extensa área verde. (FOTO: divulgação)

Hotel é rodeado por extensa área verde. (FOTO: divulgação)

Hotel Vento Brasil

Pode-se afirmar que o hotel tem a melhor localização de Paracuru, pois está a 50 metros praia e a 100 metros da praça da cidade. Com serviços de três estrelas, o Vento Brasil tem suítes espaçosas, com 20 m², porteiro 24h, sala climatizada para reuniões e treinamentos corporativos, além de piscina com deck e churrasqueira.

O hotel possui 27 suítes, nas categorias Standart, Súíte Master Térreo, Suíte Master 1º andar e Suíte Executiva 1º andar. O restaurante para o café da manhã é climatizado e está localizado entre as suítes e a área verde do hotel. O estacionamento tem segurança 24h. Os passeios podem ser agendados diretamente com a recepção. As diárias vão de de R$ 180 na suíte standart a R$ 230 na suíte Master Térreo 1º andar.

Serviço

Hotel Vento Brasil
Rua Ormezinda Sampaio, n°240, Paracuru – CE
Telefone:  (85) 3344-2400 | Site | Fanpage

Vista da suíte executiva. (FOTO: divulgação

Vista da suíte executiva. (FOTO: divulgação

Hotel fica a 50 metros da praia. (FOTO: divulgação)

Hotel fica a 50 metros da praia. (FOTO: divulgação)

Sobre Paracuru

A cidade de Paracuru fica a 85 quilômetros de Fortaleza e tem acesso duplicado pela rodovia CE-085 (Sol Poente). O tempo de condução é de 1h30m de carro e 2h de ônibus. O trajeto é feito pela empresa Fretcar e tem saída da Rodoviária Engenheiro João Tomé. A passagem custa  R$ 10,10. Há quatro saídas diárias, entre 7h e 17h.

Paracuru tem 20 quilômetros de litoral, com praia, dunas, lagoas, riachos e coqueirais como atrativos naturais. Quando a maré está baixa, foram-se piscinas naturais na beira da praia, onde podem ser vistas espécies de peixes, crustáceos e outros animais marinhos.

Empresários da região se unem para divulgar o destino. (FOTO: arquivo pessoal)

Empresários da região se unem para divulgar o destino. (FOTO: arquivo pessoal)

O município possui quatro hotéis e cerca de 20 pousadas, que têm funcionamento mais forte na alta temporada e férias. Para moradores e turistas, há dois bancos, farmácias, hospitais, cozinhas regionais e internacionais, lanchonetes, pizzarias, bares e quiosques de artesanato.

A cidade também possui uma constância de ventos, atraindo praticantes de kitesurf e windsurf. É um destino muito procurado por europeus no período de agosto a dezembro, devido ao inverno de seus países. Para atletas e simpatizantes de esportes náuticos, há uma área onde a barreira de corais protege parte da praia.

O lugar possui o mar “flat”, ideal para quem deseja aprender esportes náuticos ou mesmo para o treinamento de manobras radicais, para o praticante ter segura e posteriormente executar o treinamento em mar aberto. Stand-up Padle, mergulho e pescas são comuns na região. O local fica próximo à barraca de praia Quebra Mar, que possui duas escolas desportivas, de kite e windsurfe.

Perto de Fortaleza, com um custo-benefício excelente, Paracuru tem diversão de dia e de noite. Você já pode anotar na sua agenda como próximo destino! Caso more fora do Ceará, você pode procurar a loja CVC mais próxima de você para montar o seu pacote turístico. Paracuru recebe os visitantes de braços abertos e com um sorriso no rosto.

A repórter viajou à convite da CVC, Prefeitura de Paracuru, Pousada Sol e Lua, Hotel Dunas de Paracuru, Hotel Vento Brasil e Paracuru Kite Village.

10 perfis no Instagram com imagens do litoral ao interior do Ceará

Para quem curte fotografia, o Instagram é uma das redes sociais mais legais. Apesar de muitas pessoas usarem para compartilhar a própria vida social, há quem opte por registrar paisagens, objetos e pessoas que trazem um olhar diferenciado. E eu fico muito feliz quando vejo o meu estado bem representado nessas imagens. Listei aqui 10 perfis que mostram detalhes do nosso Ceará que merecem destaque:

1) @fortalezamonocromatica 

Começando pela nossa capital, o perfil traz uma olhar completamente diferente da nossa cidade. Em preto e branco, ele revela lugares e pessoas cativantes. A proposta dos tons abrem a nossa perspectiva sobre Fortaleza. Os criadores @ddrodriguex e @renanmatos mantém em seus perfis pessoais imagens que dão vontade de curtir mil vezes. O Davidson, vai além e ainda faz um breve relato sobre a foto. Vale a pena conferir.

2) @jnrrrr 

O Júnior Macêdo tem imagens que mais parecem fazer parte de uma exposição artística. São detalhes e um zelo de querer ficar horas admirando. O sertão é predominante em sua galeria, mas há também sol e mar, caraterísticos da nossa terra. Faz com que objetos e simetria se transformem em cliques que rendem muitas curtidas.

3) @fortaleza365 

O projeto fotográfico da Jornalista Maísa Vasconcelos traz 365 cliques (um por dia) sobre Fortaleza. Seja um olhar ou uma memória, cada dia de 2015 gerou um clique. Todas as imagens foram feitas através de um celular e trazem um relato sobre aquele momento, o que é tão bom quanto a foto em si.

4) @souraulfonseca 

Raul Fonseca tem apenas 22 anos e já acumula imagens sobre o seu estado de quem vivenciou muita coisa. Natural de Uruoca, interior do Ceará, ele traz em suas fotos o verde que é tão raro em Fortaleza. Ao visualizar suas fotos, a sensação que se tem é de respirar um ar puro, sentir o ritmo lento que uma cidade do interior traz. Cores e contrastes marcam suas imagens. Há também cliques de animais comuns em sua cidade. Outro projeto de sua autoria tão interessante quando o seu perfil pessoal é o @feitodenuvens, que já foi tema de reportagem no Tribuna do Ceará.

5) @jericoacoarace 

Quem não gostaria de largar a rotina acelerada da cidade para morar em uma vila de pescadores com um litoral de nos encher de orgulho do Ceará? Foi isso que motivou o catarinense Gustavo Spíndola a sair de Joinville para morar em Jericoacoara. Atualmente trabalhando no segmento turístico, ele costuma dizer que segunda-feira não é um dia chato. Mas também, com um visual desses, quem reclamaria? Cenas do seu cotidiano são retratadas no perfil e mostram como uma “vida simples” pode nos fazer felizes. Outras imagens e informações turísticas podem ser conferidas em sua fanpage.

6) @fabioarruda

O que falar das fotos do Fábio Arruda? Prefiro que cliquem no seu perfil antes de ler o que tenho a falar sobre ele. É porque não há o que dizer depois de ver suas imagens. Fotógrafo profissional, trabalha no ramo há 16 anos e já viajou por 15 países. Trabalha com fotografias da natureza e em 360º, mas é o seu último projeto que chama mais atenção. Depois de ter conhecido tantos lugares mundo a fora, ele decidiu registrar sua terra natal, registrando em time-lapse o próprio Ceará no Projeto Lapso. Visitou 20 cidades do litoral e 50 do interior. Além dos registros dos lugares, ele também retrata o cotidiano dessa tarefa tão emocionante que é desbravar o Ceará. As imagens você pode conferir no perfil @impressoesdeviagens e o projeto em time-lapse em seu site.

7) @raissacaldas_fotografia

Raíssa Caldas é dessas que por onde passa faz um registro. Seja de pessoas ou de paisagem, as imagens sempre contam algo sobre a cidade retratada. Como reside em Fortaleza, é comum encontrar tanto fotos de pontos turísticos quanto detalhes em ruas e lugares que muitas vezes passam despercebidos. Os jangadeiros e os fortalezenses que movimentam a Praia de Iracema são figuras carimbadas em seu perfil.

8) @flaminioararipe

O que mais me encanta nas fotos do Flaminio é o natural. Porque além de priorizar a natureza, seus registros tem pouquíssima edição, isso quando tem. Ao visualizar sua galeria, a impressão que se tem é de estar exatamente naquele lugar. As casas simples, igrejas e retratos de pessoas do interior são predominantes. Apesar das belezas naturais, o sertão é registrado com muita fidelidade. E quando tem imagens de chuva ou de árvores florescendo? Tudo fica mais bonito.

9) @brenoanp 

Se tem uma palavra para classificar as fotos de Breno Andrade é “cor”, principalmente o azul. O céu e o mar estão na maioria das fotos. As fotos do litoral cearense dão vontade de passar o dia submerso. A natureza praticamente nos chama para fazer parte dela em suas imagens. Se você é acostumando a ver Fortaleza através dos prédios e do trânsito estressante, te convido a passear pelas fotos do Breno. No mínimo você vai dizer: quero ir à praia.

10) @thiagolbrito

Agora, se você quer o mar e o sertão em um mesmo perfil, deve ver o Instagram do Thiago Brito. Com características minimalistas, simétricas e de texturas, ele mostra as casas simples do interior, trilhas, praias e cores da cidade. Olhar para as suas fotos provocam um orgulho do nosso Ceará e dá vontade de conhecer novos caminhos.

Francisco Uchôa é quem toca os empreendimentos da família. (FOTO: Rosana Romão)

Trilha do café em Guaramiranga: história da família Uchôa

Sair de Fortaleza e curtir o friozinho da serra tomando um café quentinho. Quem vai ou pretende ir à Guaramiranga tem mais uma programação a acrescentar no roteiro: a trilha do café. Localizada no Sítio Águas Finas, da família Uchôa, é parada obrigatória para quem gosta do contato com a natureza e dessa bebida que faz parte do nosso cotidiano, o café. Fiz a trilha e vou contar um pouco para vocês.

A trilha dura cerca de 1h30. (FOTO: arquivo pessoal)

A trilha dura cerca de 1h30. (FOTO: arquivo pessoal)

A história do Café no Ceará se confunde com a história da família Uchôa. O patriarca da família tem os mesmos sobrenomes de quem trouxe o café para a região.

O militar luso-brasileiro Francisco de Melo Palheta é responsável pela introdução do cultivo do café em Brasil e Portugal. Chegou ao Ceará através de José Furna Uchôa, e em Guaramiranga através de Felipe Castelo Branco. E o patriarca da família se chama José Castelo Uchôa.

Ele trabalhava cuidando de um sítio, que adquiriu após se aposentar e iniciou a produção de café em 1937. Por suas inúmeras habilidades, era conhecido na região como “mestre Zé Uchôa”.

Na época, o café era uma cultura muito valorizada em Guaramiranga, ao ponto de famílias tradicionais educarem seus filhos na Europa com o dinheiro da produção.

“Mas meu avô nunca enricou, eu acho que ele já pegou o café na época que já estava caindo. Em 1937 já não tinha aquela produção de antes, eu não lembro do meu pai ser rico por causa de café. A produção dele, no máximo, chegou a 30 sacas de café”, explica Francisco Uchôa.

Francisco Uchôa é quem toca os empreendimentos da família. (FOTO: Rosana Romão)

Francisco Uchôa é quem toca os empreendimentos da família. (FOTO: Rosana Romão)

História do café

Quando o mestre Zé Uchôa faleceu, as filhas queriam vender o sítio, mas o neto Francisco Uchôa quis dar continuidade à tradição da família. A aquisição foi em 1975, mas como trabalhava como coronel do exército, só pode se dedicar ao sítio e à produção do café quando se aposentou, em 2000. Antes só pagava os moradores e visitava o local nas férias.

O que antes era residência do mestre Zé Uchôa hoje é o Casarão dos Uchôa, uma pousada localizada no centro de Guaramiranga. De início, o objetivo da pousada era para criar recursos para pagar o sítio.

Paralelo a isso, Seu Uchôa, passou a investir no café. Se especializou no assunto e acompanhou o processo de produção feito por outras famílias tradicionais, como João Caracas, proprietário do Sítio Floresta, em Pacoti.

Na época, os produtores da Serra de Baturité chegaram a criar uma cooperativa, mas depois foi extinta. “Os maiores produtores de Guaramiranga, que era o Majó Hugo hoje abandonaram a produção. Praticamente quem produz hoje são pouquíssimas pessoas. E a maioria vende o café cru”, complementa Uchôa.

Casa do “véi da mata”, uma das atrações da trilha. (FOTO: arquivo pessoal)

Casa do “véi da mata”, uma das atrações da trilha. (FOTO: arquivo pessoal)

Produção

A produção demora, desde a florada até o café, 9 meses. Isso porque depois da colheita, o café tem 3 meses de estresse, onde ele só descansa. Ou seja, a safra é uma vez por ano. A chuva torna a produção mais atrativa. “Com a chuva, a produção está ótima. Porque assim o café encorpa, se não tiver chuva ele sai miudinho. Esse ano vai ser melhor do que o ano passado, mas nunca vai chegar à produção que a gente queria que tivesse, como 30 sacas de café. Ou seja, dobrar a produção”, explica Seu Uchôa.

Atualmente, o “Café Guará”, produzido pela família Uchôa tem boa aceitação. O quilo é vendido a R$ 50 em grão e a R$ 40 em pó. A diferença se dá porque em grão só entram os cafés inteiros e graúdos, já em pó são inclusos os quebrados. “À medida em que a gente vai vendo os resultados, começa a gostar. Recebe elogios, como ‘o café tá ótimo’, então uma coisa vai levando a outra. Hoje eu sei que o nosso café tá bom mas quero melhorar a qualidade para que ele seja reconhecido nacionalmente”, promete.

A única dificuldade apontadas pelo produtor, é a falta de profissionais apaixonados pela produção. “Eu tenho duas pessoas que trabalham para mim, como Jardelino e Chiquinho, em quem eu confio. Tô penando pra encontrar um jovem que aprenda com eles. Mas o pessoal acha que o trabalho na roça é mais duro e prefere trabalhar com outras coisas, como construção”, lamenta.

Trilha do Café. (FOTO: Rosana Romão)

Trilha do Café. (FOTO: Rosana Romão)

Rota do Café Verde

Embora tenha diferença entre os cafés produzidos em Guaramiranga, Baturité, Pacoti e Mulungu, eles tem algo em comum que tem atraído turistas para a região: a Rota do Café Verde, criada pelo Sebrae Ceará em novembro de 2015. Ainda quando a entidade fazia a vistoria entre os sítios que iriam integrar a rota, a família Uchôa foi escolhida como um caso de sucesso, porque possuía um sítio, uma pousada e uma trilha, com a produção do café. Visionário, Seu Uchôa ainda pretende produzir banana passa e adubo orgânico.

Um dos questionamentos feito pelo representante da família Uchôa é que apesar do atrativo natural do clima agradável, Guaramiranga recebe turistas por um período curto. Segundo ele, na maioria das vezes, por quatro dias no máximo. “Mesmo em épocas festivas, não tem atrativos para você ir. Se você não tiver uma pessoa pra lhe levar nos cantos, como Linha da Serra, Pico Alto e cachoeiras, você vai ficar sem fazer nada”, comenta. Por isso, ele tenta impulsionar o turismo ecológico com a trilha e as hospedagens no Sítio Águas Finas e Casarão dos Uchôa. Para Uchôa, a Rota do Café Verde veio acrescentar os atrativos.

Seu Uchôa e Chiquinho, guias da trilha. (FOTO: arquivo pessoal)

Seu Uchôa e Chiquinho, guias da trilha. (FOTO: arquivo pessoal)

Hospedagem

A família Uchôa oferta dois tipos de hospedagens: uma para quem quer contato total com a natureza e outra para quem deseja ficar mais perto da cidade. A primeira trata-se do Sítio Águas Finas, cercado de verde, ele oferece conforto com quatro suítes para casais e áreas compartilhadas, como sala de estar e cozinha. Com capacidade para 10 pessoas, o lugar é ideal para grupo de amigos ou famílias que queiram dividir o mesmo espaço. De acordo com a quantidade de pessoas, o preço é negociável.

Já o Casarão dos Uchôa é ideal para quem quer praticidade, pois é possível se deslocar a pé para lojas e restaurantes do centro da cidade. Aconchegante, o estabelecimento dá a impressão de que você está hospedado na casa de um parente. São três suítes e uma área maior que pode ser compartilhada por até 11 pessoas. O valor da diária é de R$ 200, mas no caso de duas diárias, a segunda tem 50% de desconto, ou seja, um fim de semana custa R$ 300. Nos dois lugares, você pode saborear o café produzido pela família no café da manhã.

Casarão dos Uchôa. (FOTO: Alex Uchôa)

Casarão dos Uchôa. (FOTO: Alex Uchôa)

Trilha

A trilha do café é localizada ao lado do Sítio Águas Finas e tem uma taxa simbólica de visitação de R$ 15 por pessoa. Há horários às 10h, 11h30, 13h30 e 15h. Existem dois percursos, a trilha curta e a trilha longa. Se você é um praticante ativo de atividades físicas, vale a pena fazer a longa. Se estiver acompanhado de crianças, pode fazer a curta que vai gostar do mesmo jeito e não irá cansar os pequenos. Entre as atrações, estão a Árvore Barriguda, com mais de 100 anos de idade, a Casa do Véi da Mata, a Casa do João de Barro, o Encontro dos Ventos e o Túnel do Amor. A maior parte da trilha tem sombra, então, dá pra fazer em qualquer horário. É aconselhável passar protetor solar, e estar equipado de tênis. Os guias adoram uma prosa e você vai adorar fazer o percurso ouvindo boas histórias.

Árvore barriguda. (FOTO: arquivo pessoal)

Árvore barriguda. (FOTO: arquivo pessoal)

Serviço

Casarão dos UchôaFacebookInstagram
Rua Coronel Francisco de Matos Brito, 163. Guaramiranga – Ceará
Telefone: (85) 3321-1442 | E-mail: casaraodosuchoa@hotmail.com

A repórter viajou para Guaramiranga a convite do Casarão dos Uchôa

Centenário, o sítio preserva arquitetura e móveis antigos, além de exaltar a natureza. (FOTO: Divulgação)

Conheça o Sítio São Roque, um dos mais charmosos de Mulungu

Charme e tradição. É assim que eu descrevo o Sítio São Roque. Situado no município de Mulungu, na Serra de Baturité, ele é cercado por mata atlântica e pertence à família Farias desde 1913. É um dos pioneiros no cultivo do café ecológico, com produção sombreada. Visitar esse sítio é uma oportunidade de conhecer o passado, próximo à natureza e com a companhia agradável de Seu Gerardo Farias, o homem que preserva a tradição da família.

Entrar no casarão, é como voltar no tempo. Você se sente em um filme de época. A arquitetura e móveis antigos preservados, como as receitas culinárias da matriarca da família, Amélia Queiroz Farias. O cenário histórico também possui uma capela em homenagem a São Roque. O pomar e o jardim dão um toque de cor ao ambiente, e na sombra das árvores é possível se deliciar com o café cultivado no local.

Na parte externa, é possível visualizar o local onde é feita a faxina – lugar onde o café é posto para secar -, além de conhecer as etapas de produção no Armazém do Café. O sítio conta com uma trilha em meio a mata nativa e os cafezais. O percurso é feito com o proprietário, Seu Gerardo Farias, que recebe os visitantes contando suas jornada na preservação do meio ambiente com centenas de pés de cafés em meio às ingazeiras.

O proprietário, Gerardo Farias, tem 90 anos de idade e pacientemente fala sobre a sua luta em produzir café orgânico. (FOTO: Rosana Romão)

O proprietário, Gerardo Farias, tem 90 anos de idade e pacientemente fala sobre a sua luta em produzir café orgânico. (FOTO: Rosana Romão)

A máquina de pilar café data de 1952, modelo D’Andréa nº 2, fabricada em Limeira, São Paulo. Ainda em funcionamento, é considerada uma peça rara. Os balaios, maquinários, engenho de cana de açúcar e peças antigas são preservados para serem expostos em um pequeno museu, que está sendo projetado.

Depois de todo o passeio, a vontade que você tem é de ficar sentado debaixo das árvores, ouvindo as histórias de Seu Gerardo, enquanto saboreia um delicioso café e doces feitos com as frutas do sítio em um fogão à lenha. A responsável por essa culinária é Marcinha, funcionária do sítio, com uma simpatia de fazer você se sentir em casa.

O Sítio São Roque, é apenas um ponto da Rota do Café Verde, idealizada pelo Sebrae Ceará. Ela é composta por quatro municípios: Baturité, Mulungu, Pacoti e Guaramiranga. O objetivo é valorizar os produtores de café da Serra de Baturité, além de promover o turismo sustentável. O passeio pode ser feito em um único dia, com garantia de sair de lá já com a vontade de voltar.

Para desfrutar, o visitante pode comprar o voucher ou fazer a rota de forma independente, agendando as visitas diretamente com as propriedades. Na compra do voucher, existem quatro opções de visitação, duas delas com saídas de Guaramiranga e duas com visitas iniciadas em Baturité.

A máquina de pilar café data de 1952. (FOTO: Divulgação)

A máquina de pilar café data de 1952. (FOTO: Divulgação)

Dentro do sítio há capela, pomar, jardim e uma diversidade de espécies de pássaros. (FOTO: Rosana Romão)

Dentro do sítio há capela, pomar, jardim e uma diversidade de espécies de pássaros. (FOTO: Rosana Romão)

Serviço

Contato: (85) 3328-1328 e (85) 9 9983-9875
As visitas são realizadas de quinta- feira a domingo (incluindo feriados), de 10 às 17h. É obrigatório o agendamento prévio.

Plantação de café no Sítio São Roque. (FOTO: Jonas Loongreen)

Turismo sustentável: Guaramiranga lança Rota do Café Verde

Guaramiranga recebe a Rota do Café, com a proposta de levar visitantes para conhecerem as fazendas e sítios dos produtores do café de sombra, num passeio pela história, arquitetura e pelos atrativos naturais da serra, além de desfrutarem do café e outros quitutes regionais. Haverá visita aos principais pontos de produção: Baturité, Mulungu, Guaramiranga e Pacoti. O ponto de partida é a Estação Ferroviária de Baturité, que abriga o Museu Municipal, passando por diversos sítios, com casarões, trilhas e vistas de beleza única.

A rota, voltada para o desenvolvimento sustentável da cafeicultura local, foi lançada durante o Viva Guará, que aconteceu de 27 a 29 de novembro de 2015. A ação  consiste em um tour temático, com visitas aos locais onde se está revitalizando a produção do café de sombra, de produção agroecológica.

Jardins, pássaros e um casarão autêntico compõem o cenário da propriedade São Roque. (FOTO: Jonas Loongreen)

Jardins, pássaros e um casarão autêntico compõem o cenário da propriedade São Roque. (FOTO: Jonas Loongreen)

Mais do que um agradável passeio para admirar a arquitetura preservada, em contato com a natureza e desfrutar da calmaria da serra, a rota promove um resgate da história do Ciclo do Café na região, sendo uma oportunidade para conhecer o processo de beneficiamento do café, além de provar doces de frutas e bolo de café, e comprar produtos orgânicos, incluindo o café.

Sobre a Rota do Café

Consumir café é tradição e geração de riquezas. Um dos produtos mais importantes da história nacional, movimenta milhões de sacas exportadas ao ano, respondendo por um terço da produção mundial. Nas últimas décadas, um novo ingrediente vem se misturando ao café brasileiro: a preservação do meio ambiente.

No Ceará, a revitalização da cultura do café sombreado de prática agroecológica vem evoluindo em volume de produção, evitando o processo de degradação do solo, contribuindo com a preservação da mata nativa e evitando o assoreamento dos rios. Na Serra de Baturité – 100 km de Fortaleza, encontramos uma produção de café sombreado de importância ambiental e socioeconômico.

O Sítio São Roque cultiva café desde 1813. (FOTO: Divulgação)

O Sítio São Roque cultiva café desde 1813. (FOTO: Divulgação)

Principais pontos da Rota do Café Verde

Museu de Baturité

O Prédio da antiga Estação Ferroviária de Baturité abriga o Museu Municipal com acervo pertencente aos trens e ao complexo ferroviário e ainda mobiliário e objetos das antigas residências da região que remontam o contexto histórico social do início do Século 20. Comemorando o lançamento da rota, a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) também traz uma exposição itinerante do seu Centro Cultural.

Museu de Baturité. (FOTO: divulgação)

Museu de Baturité. (FOTO: divulgação)

Fazenda Caridade e Mosteiro dos Jesuítas

No local, os visitantes têm a oportunidade de conhecer uma edificação religiosa majestosa com vista panorâmica do Maciço de Baturité, além de avistar a Fazenda Caridade, um verdadeiro cartão postal do plantio do café sombreado. Pela sua importância para a região, o café sombreado ganha uma exposição permanente e pode ser adquirido na lojinha do Café do Mosteiro.

Mosteiro dos Jesuítas. (FOTO: divulgação)

Mosteiro dos Jesuítas. (FOTO: divulgação)

Sítio Águas Finas

Onde os visitantes começam, então, a percorrer os cafezais de sombra da Serra. Pela trilha, será revelada toda a história das primeiras mudas que aqui chegaram até seu atual processo de revitalização, além do contato com a fauna e a flora local. No sítio, se produz o Café Guará pelas mãos da tradicional Família Uchôa.

Trilha do café no Sítio Águas Finas. (FOTO: Rosana Romão)

Trilha do café no Sítio Águas Finas. (FOTO: Rosana Romão)

Sítio São Roque

Jardins, pássaros e um casarão autêntico ladeado pela capela em homenagem a São Roque compõem o cenário que os visitantes encontram ao chegar na propriedade São Roque, que data de 1813, e conta ainda com um terreiro – chamado de faxina – onde o café era posto pra secar.

Há quase um século no cultivo do café, o proprietário Gerardo Farias, recebe os visitantes contando sua jornada na preservação do meio ambiente com centenas de pés de café em meio às ingazeiras. Um dos talentos do São Roque é Marcinha, craque nos doces mexidos no tacho mexido e no fogão à lenha, feitos com as frutas do sítio.

Plantação de café no Sítio São Roque. (FOTO: Jonas Loongreen)

Plantação de café no Sítio São Roque. (FOTO: Jonas Loongreen)

Sítio Floresta

No Floresta, o passeio irá mostrar todas as etapas do processo de beneficiamento do café de sombra, desde o banco de mudas, passando pela piladeira até a torra de grãos. O sítio produz uma linha de produtos naturais, derivados do café e da banana. O anfitrião é o proprietário João Caracas, que também é de família tradicional e entende tudo de café.

Café da manhã no Sítio Floresta. (FOTO: Rosana Romão)

Café da manhã no Sítio Floresta. (FOTO: Rosana Romão)

Sítio São Luís

Erguido pelas mãos de arquitetos holandeses, o casarão se tornou exemplar único na região com suas arcadas imponentes que guardam toda história das famílias pioneiras do cultivo do café. É cercado por uma mata sem igual numa paisagem que já foi cenário de vários filmes. Portas, azulejos, pinturas, móveis e uma cozinha que remontam os tempos áureos do Ciclo do Café. A proprietária Cláudia Góes revela essa trajetória e convida os visitantes para provar do famoso bolo de café, de receita centenária.

Sítio São Luís, que já foi cenário de filme. (FOTO: divulgação)

Sítio São Luís, que já foi cenário de filme. (FOTO: divulgação)



“A nossa participação no Viva Guará esse ano, evento que promove anualmente uma imersão nas potencialidades da Serra de Baturité para o fomento do Turismo Sustentável, tem como objetivo compartilhar com as comunidades locais e seus visitantes os resultados das ações de integração e qualificação no setor de produção do café verde, capaz de provocar um impacto ambiental e socioeconômico relevante e positivo para toda a região”, destaca Fabiana Gizele, articuladora do escritório regional do Maciço de Baturité do SEBRAE Ceará.